Parte Aérea

1- Ramos

 

    A arquitetura do cafeeiro está montada sobre uma copa, cujos ramos apresentam um dimorfismo relacionado com a direção do seu crescimento. Os que se desenvolvem na vertical são os ortotrópicos e os na herizontal são os plagiotrópicos (figura abaixo).

 

FIGURA 1 pag 37 livro

 

    O crescimento proporcional destes dois tipos de ramos, confere um formato cilíndrico ao C. arabica (exceto o Acaiá que tem formato cilíndrico cônico). A parte aérea se desenvolve em uma única haste ortotrópica até atingir de 8 a 10 pares de folhas (dominância da gema apical sobre as axilares). Estas gemas axilares, também chamadas de seriadas (5 a 6 gemas) podem dar origem a diferentes partes da planta, como ramos plageotrópicos, ramo ortotrópico (ramo ladrão), frutos, ramo plageotrócios secundários. Já a gema apical ou cabeça-de-série pode dar origem apenas aos ramos plageotrópicos primários e secundários. A capacidade da gema seriada dar origem a um novo ramo ortotrópico (ladrão) confere ao cafeeiro a capacidade de crescer novamente após uma recepa, logo após a gema apical ter sido cortada, quebra a dormência destas gemas laterias para originar um novo ramo ortotrópico. Mas quando a planta sofre estresses durante o seu desenvolvimento, isto estimula as gemas laterais e a planta emite ramos ladrões, que devem ser eliminados devido ao seu grande efeito competitivo.

    Em cada nó do ramo ortotrópico, existe apenas 1 par de gemas cabeça-de-série, por isso existe apenas 1 par de ramos plageotrópicos em cada nó e se algum destes ramos forem perdidos, não se reconstruirão. Se ocorrer a má condução da planta e ela tiver uma saia mal formada, deve-se fazer a recepa para que então a partir do novo ramo ortotrópico que irá se formar, possa nascer novos ramos plageotrópicos e dar uma formação adequada para a planta. As gemas nos ramos plageotrópicos permitem a recomposição da copa quando a planta é podada com esqueletamento.

    É importante destacar que o volume da safra de café depende diretamente da capacidade das gemas seriadas se diferenciarem vegetativa ou reprodutivamente. O ideal seria que as gemas seriadas rendessem apenas frutos, deixando as ramificações a cargo das demas cabeça-de-série. Esse fato determinante na produção, ocorre normalmente entre a primeira quinzena de fevereiro e março, repectivamente, é fortemente influenciado pela duração e pela intensidade dos principais fatores ambientais temperatura e água. 

   

    Altura da copa: 

 

 - Muito altas: Mundo Novo

 - Altas: Bourbon Amarelo IAC J18, Icatu Precoce IAC 3282, Icatu Amarelo IAC 2944-6, Icatu Vermelho e Acaiá

 - Médias: Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo, Ouro Verde IAC H5010-5

 - Baixas: Tupi IAC 1669-33, Obatã IAC 1669

 

    As cultivares Mundo Novo são classificadas com diâmetro de copa muito largas e saia do Mundo Novo IAC 388-17 é 20% mais larga que as demais do mesmo grupo. Lembrando sempre que as interações com o ambiente de cultivo e as tecnologias de produção exercem forte influência sobre o desenvolvimento vegetativo das plantas,podendo ocorrer variações em sua arquitetura.

 

 

2- Folhas

 

    Em plantas adultas as folhas estão paenas nos ramos plageotrópicos, com dimensões de 12 a 24 cm, delgada e ondulada de forma elíptica.

 - Folhas curtas e estreitas: Bourbon Amarelo IAC J18

 - Folhas longas e largas: Obatã IAC 1669-20 e Tupi IAC 1669-33 (provavelmente pelo parentesco com a espécie C.canephora)

 - Folhas tamanho médio: Icatu Amarelo IAC 2944-6, Icatu Precoce IAC 3282, Icatu Vermelho, Acaiá, Catuaí e Mundo Novo

 

    A cor das folhas jovens é importantíssima para poder distinguir algumas cultivares do Mundo Novo. Por exmplo: a cultivar Mundo Novo IAC 376-4 e Mundo Novo 388-17 possuem brotos verdes e a cultivar Mundo Novo IAC 501, Mundo Novo IAC 515 e Mundo Novo IAC 379-19 brotos bronze.

 

FIGURA 2 - Coloração de folhas jovens (net)

 

    As folhas estão em contato direto com a luz e fica sujeita a mudanças estruturais onde as dimensões das células, expessura do parêncquima paliçadico e lacunoso e o número de estômatos decrescem com o nível de luz. Sol e sombra influenciam a plasticidade foliar, alterando, principalmente, a espessura e a área foliar.

    A epiderme é revestida por uma camada de cutícula que reduz a perda expontânea de água, protege contra danos mecânicos e também dificulta a penetração de produtos agrícolas. Também encontramos os estômatos na epiderme inferior ou abaxial (dorsal) que são responsáveis por 90% da água transpirada pela planta (folhas hipostomáticas). A densidade estomática é definida pelo número de estômatos por unidade de área foliar, variando entre espécies, indivíduos e até mesmo entre folhas de uma mesma planta. Portanto, podemos concluir que os cafeeiros sombreados possuem maior densidade de estômatos que os cultivados a pleno sol.

 

 

3- Flor e Floração

 

    A floração fica nos ramos laterias que cresceram no ano anterior. Elas se apresentam em glomérulos axilares de 2 a 19 por axila envolvidos por um caulículo formado por 2 pares de brácteas.Os eixos laterais da inflorescência nascem a partir de gemas dispostas em série descendentes, nas axilas formadas pelos pares cruzados de folhas com os ramos primários. Cada gema desta se desenvolve em um eixo curto que termina numa flor. As axilas floreais produzem gemas uma única vez, portanto, as produções, com o passar dos anos, se concentram nas extremidades dos ramos. Quando isso acontece, recomenda-se a poda para a renovação da lavoura (desponte ou esqueletamento para recuperação da copa).

    A etapa reprodutiva se inicia com a floração e este processo compreende as seguintes etapas: indução, diferenciação, crescimento e desenvolvimento, dormência e antese. Esses fatores podem variar de acordo com os acontecimentos exógenos e endógenos dependendo da cultivar e das condições ambientais prdominantes. Segue a figura abaixo mostrando o desenvolvimento reprodutivo do cafeeiro - desenvolvimento, expansão e maturação dos frutos.

 

FIGURA 3 - Evolução das flores e frutos (figura 2 livro pag 42)

 

    A fase de indução floral ocorre entre fevereiro e março na maioria das regiões. Condições ideais são a não ocorrência de déficit hídrico severo, com os dias quentes e as noites frias. Depois disso, os primórdios florais se desenvolvem por 2 meses até atingirem um tamanho de 4 a 6 mm, só então entram em dormência nos próximos 2 meses (julho a agosto), onde apresentam alto teor de ácido abcíssico (ABA). Um botão floral já diferenciado somente se transformará em flor se as condições climáticas entre os períodos diurnos (29) e noturnos (18°C) forem satisfatórios (11°C).

    As melhores condições para o café são:

 - Temperaturas: 19°C a 21°C

 - Precipitação: 1.400 a 1500 mm anuais

 - No inverno o café deve sofrer um déficit hídrico (principalmente agosto e setembro) com temperaturas de 16°C a 18°C.

 

    Em setembro, quando começam a vir as chuvas novamente, as gemas ficam entumescidas e os botões florais crescem de 8 a 16 dias, chegando a fase de abotoamento, depois a fase florada (não pode faltar chiva nesta fase, de 8 a 10 mm), depois vem a fase pós-florada onde as pétalas caem. Quando o café recebe água durante a fase de dormência, a floração fica indefinida, resultando em floradas sucessivas e consequentemente várias colheitas, o que não é bom para o produtor. Temperaturas altas e um intenso déficit hídrico, provoca a morte dos tubos polínicos por desidratação e causa o aborto das flores (estrelinhas).

    OBS: Uma elevada produção no ano, juntamente com um forte déficit hídrico, reflete negativamente na produção do ano seguinte.

 

 

4- Fruto e Frutificação

 

    O fruto do cafeeiro é uma drupa elipsóide e contem dois locus e duas sementes (podem ter 3 ou mais sementes). Segue a descrição das partes de um fruto:

 - Pedunculo: é a haste que suporta e liga o fruto na planta, sendo este o primeiro a receber os fotoassimilados da planta.

 - Coroa: é a região da cicatriz floral, se localiza na parte oposta ao pedunculo, onde as brocas costumam fazer suas perfurações.

 - Exocarpo: é a casca do fruto, podendo ser vermelha ou amarela quando atingem o estádio de "cereja" que é quando ocorre a maturação fisiológica do fruto.

 - Mesocarpo: é a mucilagem (substância gelatinosa e adocicada) que fica entre o exocarpo e o endocarpo.

 - Endocarpo: é o pergaminho que envolve a semente (na espécie C. canephora é menos espessa que na C. arabica).

 - Semente: As cultivares comerciais tem formato plano-convexo, elíptico ou oval e são sulcadas longitudinalmente na face plana, possuem uma espessura média, o endosperma é de coloração verde, possuem uma película prateada e ligeiramente aderida ao endosperma.

    Dentro da semente, encontramos:

 - Espermoderma: é a película que envolve o endosperma, sendo prateada e não muito aderente em C. arabica e castanha e muito aderente em C. canephora.

 - Endosperma: é o tecido de maior volume na semente de coloração esverdeada em C. arabica e amarelada em C. canephora. É composta por: água, aminoácidos, proteínas, cafeína, lactonas, triglicerídeos, açúcares, dextrina, pentosanas, galactomananas, celulose, ácido caféico, ácido clorogênico e minerais.

 - Embrião: é formado por um hipocótilo e dois cotilédones cordiformes e fica na superfície convexa da semente, medidndo de 3 a 4 mm.

 

FIGURA 4 - Foto de frutos de café

 

    A frutificação começa com a formação dos frutos (fase chumbinho), onde vão se expandir rapidamente até atingirem seu tamanho máximo por volta de dezembro, com seu interior aquoso - não pode haver déficit hídrico para não prejudicar o crescimento e enchimento dos frutos, ocasionando peneira baixa. Na fase chumbinho não pode ter déficit hídrico pois isto estimula a planta a produzir etileno na região do ped~unculo do fruto e ativa a síntese de enzimas degradantes na parede celular, ocasionando a abscisão e favorendo a queda de chumbinhos com as chuvas pesadas.

    No mês de janeiro a cor verde vai se acentuar (grão verde) e em março os líquidos internos se solidificam, formando a semente. Nesta fase não pode haver déficit hídrico para não prejudicar a granação dos frutos (chochos). Entre abril e junho, começa a maturação, ocorrendo a degradação da clorofila e começa a síntese de carotenóides, mundando a cor verde (fase verde cana), passando pelo amarelecimento (fase verde para amarelo), indo até o estádio amarelo ou vermelho (fase cereja). Após isto, os frutos vão começar a secar (fase passa) e vão atingir o estádio seco (fase seco).